Travar os Incêndios em Portugal: menos reação, mais prevenção!
© Pedro Armestre
“Erradicar completamente o risco de incêndios florestais é uma tarefa quase impossível, dada a sua enorme complexidade. No entanto, ao compreendermos como funcionam, podemos aprender a geri-los melhor, a adaptar-nos e a salvaguardar o nosso futuro.” in Relatório da Greenpeace sobre o histórico de incêndios em Portugal.
Portugal continua preso a um ciclo que parece não ter fim. Segundo o relatório de investigação da Greenpeace sobre os incêndios florestais em Portugal, investimos milhões em forças e meios para fazer frente aos incêndios, mas as nossas florestas continuam a arder com uma intensidade que supera qualquer capacidade de combate.
Além disso, a crise climática não será vencida através desses meios de combate.
Precisamos de uma paisagem que se saiba defender e, para isso, exigimos que o Governo português pare de reagir e comece a abordar as raízes do problema:
- Abandono rural: Sem pessoas para habitar e gerir as áreas rurais, estas tornam-se mato contínuo e altamente inflamável.
- O eucalipto: Tornou-se a terceira espécie mais representativa da nossa floresta. Monoculturas sem gestão são perfeitos para incêndios extremos.
- Gestão dos terrenos: 90% da nossa floresta é privada e, em grande parte, ninguém sabe onde começam ou acabam os terrenos, impedindo qualquer gestão eficaz e eficiente.
- Combustíveis fósseis: O aquecimento global agravado sobretudo pela enorme dependência de combustíveis fósseis avança a uma velocidade mais rápida do que qualquer medida para fazer frente aos incêndios. É uma das principais causas para os grandes incêndios florestais ou incêndios de “nova geração”.
Apelamos ao Governo português, em particular ao Primeiro-Ministro, ao Ministério do Ambiente e ao Ministério da Administração Interna, para que, em conjunto com as entidades do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) priorizem o seguinte:
- Justiça climática: Implementação de um sistema fiscal justo sobre os grandes poluidores para financiar políticas de adaptação e resiliência.
- A regra do 1%: O modelo de gestão atual permanece extremamente focado no combate. Queremos o compromisso do Governo portugues em gerir anualmente 1% da área florestal para quebrar a continuidade do fogo, dando um exemplo positivo para a restante maioria dos detentores de terrenos.
- Fim da expansão do eucalipto: Restrições rigorosas à expansão de monoculturas de crescimento rápido, sobretudo do eucalipto, e com substituição por espécies autóctones mais resistentes ao fogo.
- Conclusão do Sistema de Informação Cadastral Simplificado: Para que cada hectare tenha um responsável e um respetivo plano de gestão.
- Prevenção com as pessoas: Apoio técnico a pastores e agricultores para que o uso do fogo seja uma ferramenta e não um crime, dando visibilidade a esse trabalho.
- Pacto Ibérico: Uma estratégia comum com Espanha para corredores de segurança transfronteiriços e harmonização de terminologias e protocolos.
Junta o teu nome agora! O nosso futuro depende de uma floresta viva, bem gerida e resiliente, e que não pode depender apenas da capacidade das forças de combate.
Queremos uma floresta viva, bem gerida e resiliente em Portugal.
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