Salvar o nosso litoral para salvar o nosso futuro
© Greenpeace / Pedro Armestre
“A costa portuguesa não é uma linha a defender, mas sim um ecossistema dinâmico a respeitar (...). Se não forem tomadas medidas, até 2050 poderemos ver inúmeras praias transformadas em memória histórica.” in Relatório Destruição a Toda a Costa 2026.
Portugal enfrenta uma emergência silenciosa. Enquanto o nível do mar sobe 3,7 mm por ano (um ritmo superior à média global) e a erosão já afeta 60% da nossa costa continental, continuamos a sacrificar grande parte da nossa primeira linha de defesa natural em nome da construção e do lucro.
O relatório de investigação da Greenpeace revela ainda que determinadas partes do nosso litoral estão reféns de planos municipais obsoletos e de interesses imobiliários de luxo. Em concelhos como Sesimbra, utilizam-se regras de 1998 para licenciar megaprojetos em zonas protegidas, enquanto em Grândola assistimos à privatização encapotada de praias públicas. Não podemos permitir que o "interesse público" seja usado para destruir dunas e marismas que nos protegem de catástrofes.
Exigimos que parem de ignorar a ciência. Precisamos de uma costa resiliente, saudável, de e para todos.
Apelamos em particular aos municípios costeiros (com destaque para Sesimbra e Grândola) e ao Ministério do Ambiente e Energia que priorizem as seguintes medidas urgentes:
- Cumprimento da Lei: Suspensão imediata das normas dos Planos Diretores Municipais (PDM) que não transpuseram os Programas da Orla Costeira (POC) dentro do prazo legal, impedindo novos licenciamentos em zonas sensíveis.
- Moratória à construção em zonas de risco: Paralisação de todos os projetos turísticos e urbanísticos em curso ou planeados em áreas com risco de inundação ou erosão até 2050, bem como em perímetros da Rede Natura 2000.
- Aposta em Soluções Baseadas na Natureza (SBN): Substituição do investimento em “obras físicas” e em alimentação artificial de praias por programas de restauro de cordões dunares e marismas.
- Transparência: Remoção de todas as barreiras físicas que impedem o acesso público às praias e a publicação obrigatória e transparente de todos os processos de licenciamento urbanístico costeiro.
- Justiça climática e socioeconómica: Aprovação de taxas turísticas e impostos sobre a indústria de combustíveis fósseis para financiar a adaptação local e o apoio à transição das economias tradicionais costeiras.
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