A Greenpeace Internacional apela à protecção do povo venezuelano perante intervenção dos EUA, motivada pelo petróleo

Janeiro 5, 2026

Lisboa, 5 de janeiro de 2026  –  A Greenpeace Internacional manifesta profunda preocupação com a mais recente acção militar ilegal do Presidente Donald Trump contra a Venezuela, que viola tanto o direito internacional como os seus próprios poderes constitucionais, enquanto presidente dos Estados Unidos.

Ao reclamar controlo efetivo sobre o país, Trump afirmou que os Estados Unidos estariam “muito fortemente envolvidos” na indústria petrolífera venezuelana.

“A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo. As próprias palavras de Trump deixam claro que o controlo e a exploração dessas reservas são a sua prioridade, neste momento. Num contexto de agravamento acelerado da crise climática, olhar para as vastas reservas de petróleo da Venezuela desta forma é imprudente e perigoso. O único caminho seguro é uma transição justa para longe dos combustíveis fósseis, que proteja a saúde, salvaguarde os ecossistemas e apoie as comunidades, em vez de as sacrificar em nome do lucro a curto prazo”, alertou Mads Christensen, diretor executivo da Greenpeace Internacional.

Neste momento crítico, os direitos, a segurança e os interesses do povo venezuelano têm de estar em primeiro lugar. Os venezuelanos devem ter o direito de determinar pacificamente o seu próprio futuro, livres de coerção e violência. A situação não pode ser explorada para lucro petrolífero de curto prazo ou ganhos extrativos, por parte de governos ou empresas estrangeiras.

“A comunidade internacional deve agora agir de forma decisiva para defender o direito internacional e evitar mais danos. Os governos devem rejeitar intervenções militares unilaterais, exigir uma desescalada imediata e reafirmar a proibição do uso da força consagrada na Carta das Nações Unidas para fins políticos ou económicos. Os esforços diplomáticos devem dar prioridade à protecção dos civis, à monitorização independente dos direitos humanos e dos riscos ambientais, e à responsabilização por quaisquer violações.”

“É crucial que os Estados resistam a tentativas de explorar esta crise para expandir os combustíveis fósseis e, em vez disso, mobilizem apoio financeiro, legal e político para uma transição justa que sirva o povo venezuelano e não os interesses do petróleo”, acrescentou Christensen.

O povo da Venezuela tem suportado anos de turbulência política, dificuldades económicas e profundo sofrimento social, muito disso agravado pela dependência extrativa e pela pressão externa. É claro que a estabilidade não virá dos campos petrolíferos nem da força militar. Está na hora de traçar um caminho diferente. Ao mobilizar financiamento climático, alívio da dívida e apoio internacional para uma transição justa para energias limpas, os governos podem ajudar a garantir melhorias reais nas condições de vida, proteger os ecossistemas e apoiar uma recuperação assente na dignidade, na autodeterminação e num futuro livre de combustíveis fósseis moldado pelas pessoas e não pelo lucro.


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