A retirada de Trump das suas obrigações globais enfraquece os EUA e deixa o mundo com menos proteção, perante a emergência climática

Janeiro 9, 2026

  • O tratado #UNFCCC para a cooperação global sobre as alterações climáticas serve os interesses de sobrevivência de todos neste planeta.
  • A saída dos EUA vira as costas a todos os países do mundo.
  • Para a Greenpeace, o facto de Trump retirar os EUA porque “já não serve os interesses americanos” não é apenas “vergonhoso”, mas perigoso.
  • Abandonar o IPCC deixa-nos na ignorância e na desproteção, mas não faz desaparecer a realidade das alterações climáticas.

Em resposta à emissão do memorando do Presidente Trump que ordena às agências norte-americanas a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, incluindo o Tratado Global dos Oceanos e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos da Greenpeace EUA, declara:

“Mais uma vez, o presidente ignorou os interesses dos Estados Unidos para promover a sua própria agenda pessoal, pondo em perigo o nosso futuro coletivo. As alterações climáticas já custam à economia americana 150 mil milhões de dólares por ano e prevê-se que este valor aumente drasticamente. Os problemas reais que estas organizações trabalham para resolver não vão parar na fronteira americana só porque o presidente já não quer que os Estados Unidos ajudem a abordá-los”.

Embora a colaboração multilateral seja importante para resolver os problemas do mundo, os impactos da retirada de Trump serão díspares. Os Estados Unidos e outros países do Norte Global fornecem grande parte do financiamento que facilita estes esforços, e o facto de Trump virar as costas a esta responsabilidade crucial imporá uma carga maior sobre outros para que assumam a responsabilidade.

“Por outro lado, as negociações internacionais não serão retardadas pelo comportamento obstrucionista da administração Trump. Após retirar-se destas organizações, a administração já não poderá bloquear o progresso global, embora os americanos e as populações de todo o mundo vão pagar o preço por este isolacionismo através de um ar e água mais sujos, e de uma maior vulnerabilidade a desastres climáticos cada vez mais frequentes e severos”.

Já a Greenpeace Portugal classifica a decisão como “um ato de profunda irresponsabilidade e um retrocesso grave para a ação climática global. Os Estados Unidos são a maior economia mundial e uma das maiores emissoras de gases com efeito de estufa. Quando um país com este peso e esta responsabilidade se afasta de mecanismos essenciais de cooperação internacional, enfraquece de forma significativa a resposta global à crise climática”, diz Toni Melajoki Roseiro.

Para o Diretor da Greenpeace Portugal, “Este afastamento representa um desrespeito pelos compromissos internacionais assumidos e pelas recomendações científicas que exigem uma ação urgente e coordenada para travar o aquecimento global, incluindo o trabalho desenvolvido no âmbito do IPCC.

Tememos ainda que esta decisão incentive outros governos populistas a abandonarem os seus compromissos climáticos. Trata-se também de um ataque aos direitos humanos, uma vez que as alterações climáticas ameaçam diretamente a vida, a saúde, a alimentação e a habitação de milhões de pessoas, em especial das mais vulneráveis.”


Partilha!