AÇÃO! Greenpeace transforma a sede da Comissão Europeia na Torre Trump
Ativistas da Greenpeace realizaram esta madrugada uma projeção na fachada da sede da Comissão Europeia em Bruxelas, transformando o edifício numa réplica de um dos arranha-céus do presidente Trump em Manhattan, com a frase “RESISTAM À AGENDA DE TRUMP”. A organização acusa os líderes da União Europeia (UE) de cederem às suas exigências.
Os ativistas da Greenpeace protestaram contra a contínua dependência da UE das importações de petróleo e gás dos EUA, a eliminação dos níveis de proteção para o meio ambiente, a saúde pública e a privacidade, a eliminação de impostos para as grandes corporações tecnológicas e a falta de resistência face às violações do direito internacional por parte dos EUA.
A ação da Greenpeace teve lugar na zona onde os 27 chefes de Estado e de Governo da UE estão reunidos para debater a reação da Europa face aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irão — e o consequente aumento dos preços da energia —, a guerra em curso na Ucrânia, o próximo orçamento, bem como os seus próprios esforços para desregulamentar as proteções europeias em matéria de saúde pública e privacidade digital.
Ariadna Rodrigo, responsável pelas campanhas políticas da Greenpeace UE, declara: “Trump quer dominar a Europa e, até agora, a maioria dos políticos da União Europeia parece estar a deixá-lo fazer o que quer, por isso, estamos a ajudar a que decidam de que lado estão. Trump é um negacionista que atropela o direito internacional e, em vez de lhe fazer frente, a proposta da maioria dos líderes da UE é acabar com as proteções para a nossa saúde e para o meio ambiente e amarrar a UE ao petróleo e ao gás norte-americanos, para agradar a Trump e aos seus amigos multimilionários”.
O Governo dos EUA e os lobistas empresariais têm pressionado a UE para que elimine algumas das suas medidas de proteção ambiental e social, como a lei europeia contra a desflorestação, o regulamento sobre o metano e o imposto digital às grandes empresas tecnológicas.
“Ao ceder às pressões de Trump, que tem uma agenda baseada na ganância e no negacionismo climático, os líderes europeus estão a hipotecar a nossa autonomia estratégica. Não podemos permitir que o futuro das famílias portuguesas seja decidido em Washington ou que as nossas leis de proteção ambiental sejam eliminadas para satisfazer interesses corporativos transatlânticos. Exigimos que o Governo português assuma uma postura de liderança no Conselho Europeu, rejeitando este acordo comercial tóxico e promovendo um verdadeiro Escudo Social Verde. A prioridade política deve ser o bem-estar dos cidadãos e a resiliência climática e não o lucro especulativo dos gigantes da energia, da defesa e da tecnologia”, declarou Toni Melajoki Roseiro, diretor da Greenpeace em Portugal.
A maioria dos líderes da UE tem-se mostrado relutante em condenar, ou apoiou abertamente, os recentes ataques à Venezuela e ao Irão, que violam o direito internacional, e as ameaças a Cuba. Além disso, permanecem indiferentes face à falta de escrúpulos do denominado Conselho de Paz para com os direitos da população de Gaza. A Greenpeace insta todos os Governos a respeitarem o direito internacional e a protegerem a população civil e pede à UE que pressione para que se ponha fim imediato às hostilidades militares e aos bloqueios de ajuda humanitária. Também pede aos Governos europeus que acelerem a transição ecológica como aposta política central para aumentar a resiliência e a soberania da UE face aos poderes fósseis e autocráticos.
Acordo comercial entre a UE e os EUA
No âmbito de um acordo proposto para reduzir as tarifas sobre o comércio de mercadorias entre a UE e os EUA, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assume o compromisso de a UE importar 750 mil milhões de dólares em energia norte-americana até ao final de 2028, sobretudo petróleo e gás. Em 2025, os EUA já forneciam 27% das importações de gás da UE, percentagem que poderá chegar aos 40% em 2030.
A Comissão de Comércio do Parlamento Europeu tem previsto votar a aprovação do acordo, que posteriormente segue para o Plenário do Parlamento para votação, possivelmente nos dias 25 e 26 de março. A Greenpeace UE adverte que a dependência da Europa face às importações de combustíveis fósseis, para além de acelerar a crise climática, confere uma vantagem aos governos autoritários sobre a UE e deixa as famílias europeias vulneráveis à volatilidade dos preços. A Greenpeace UE insta os membros do Parlamento Europeu a rejeitarem o acordo comercial entre a UE e os EUA.