Cheias: Greenpeace exige urgência na prevenção e não só na resposta à emergência

Fevereiro 6, 2026

  • A intensificação dos eventos meteorológicos extremos devido às alterações climáticas, a construção em zonas inundáveis ou a alteração dos rios destacam-se entre as causas que explicam o impacto das tempestades que mantêm Portugal em sobressalto
  • Além da mitigação da crise climática para evitar os piores cenários e salvar vidas, a Greenpeace recorda a importância da prevenção e adaptação através de protocolos de emergência, revisão dos planos de ordenamento urbano e recuperação dos ecossistemas
  • É urgente que o Governo e as autarquias passem da política do betão para uma transição hidrológica justa que recupere a saúde dos aquíferos e devolva aos rios liberdade de movimento

Lisboa, 6 de fevereiro de 2026 –  Depois de Kristin e Leonardo, o nosso país prepara-se para receber a depressão Marta; mais uma de alto impacto nas últimas semanas. O encadeamento destes eventos em Portugal e, também em Espanha, deixa atrás de si um rasto de água, destruição e sofrimento. Mesmo com todas as mensagens de precaução, a Greenpeace insiste na necessidade de apostar na prevenção para evitar futuras catástrofes, com melhoria contínua dos protocolos e alertas, e com a natureza, como melhor aliada da resiliência do território.

Perante os eventos meteorológicos extremos, cada vez mais evidentes e intensos devido às alterações climáticas, recordamos a importância de atacar a origem do problema e mitigar a crise climática, através da redução drástica das emissões e do abandono rápido e justo dos combustíveis fósseis.

Quanto aos impactos que já se estão a sentir no país com a depressão Leonardo, as cheias em curso no Tejo (com especial incidência nos distritos de Santarém) e as cheias do Sado (em Alcácer do Sal), voltam a expor a vulnerabilidade do território, perante episódios de precipitação intensa. A Greenpeace alerta também para a necessidade de adotar medidas urgentes de adaptação.

As intervenções nos rios (como canalizações e artificialização dos leitos das margens), reduziram, em muitos casos, a capacidade natural das cheias abrandarem e se dissiparem.  Ao eliminar as planícies de inundação e zonas ribeirinhas para construir infraestruturas ou habitações, bem como ao impermeabilizar áreas urbanas, destruiu-se a “esponja” natural do território, aumentando a gravidade das inundações quando a chuva é intensa.

“Quando há operações de resgate e famílias têm de abandonar as suas casas, percebemos que não basta reagir à emergência”, defende o Diretor da Greenpeace Portugal e, acrescenta: “Não podemoscontinuar a permitir construçãoe reconstrução em zonas inundáveis. Em Portugal, dezenas de milhares de pessoas vivem em  zonas de risco de cheias e inundações e, quando chegam episódios como este, voltamos sempre a correr atrás do prejuízo.”

A Greenpeace denuncia que continuamos presos a um ciclo de reação à emergência, esquecendo que a verdadeira segurança nasce do planeamento preventivo. É necessária uma revisão urgente dos instrumentos de ordenamento do território para impedir inundação antes da próxima tempestade. Nesta avaliação de risco devem incluir-se também as zonas de especial suscetibilidade a inundação pluvial, associada à acumulação de água da chuva e à capacidade e estado de sistemas de drenagem.

“A prevenção tem de ser vinculativa: regras claras e aplicadas no ordenamento do território, proteção efetiva das planícies de inundação e uma avaliação de risco que inclua também a inundação pluvial, ligada à drenagem e à impermeabilização urbana. Não é” fatalidade”. “É gestão de território”, alerta Toni Melajoki Roseiro.

Como solução estrutural, a Greenpeace propõe a implementação imediata de soluções baseadas na natureza e o cumprimento estrito do Regulamento de Restauro da Natureza da União Europeia

Restaurar ecossistemas como zonas húmidas, margens de rios, planícies de inundação e massas florestais ao longo dos cursos de água, mesmo em meios urbanos, é fundamental para que as inundações causem menos danos, permitindo que a água encontre vias naturais de escoamento e que não coloquem em risco pessoas, infraestruturas ou serviços básicos. É urgente que as Administrações passem da política do betão para uma transição hidrológica justa que recupere a saúde dos aquíferos e devolva aos rios a sua liberdade de movimento.


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