COP17: Que futuro querem os líderes mundiais?
Erevã, Arménia – As negociações na COP17 da Biodiversidade das Nações Unidas chegaram a um impasse. A Greenpeace apela aos governos para que assumam as suas responsabilidades e se concentrem nas medidas necessárias para alcançar as metas do Quadro Mundial da Biodiversidade de Kunming-Montreal (KM-GBF), acordado internacionalmente, e para impedir que os grupos de pressão empresariais capturem as negociações.
O Segmento de Alto Nível ministerial, que terá lugar durante a segunda semana, deverá assegurar a liderança política necessária para dar uma resposta firme e orientada para a ação à primeira Avaliação Global da Convenção, quando faltam apenas quatro anos para cumprir essas metas.
An Lambrechts, especialista em Política de Biodiversidade da Greenpeace Internacional, afirmou: “A COP17 fez um balanço das lacunas que precisam de ser colmatadas para que as metas de 2030 continuem ao nosso alcance. Os países reconhecem que existe um problema. Agora, precisam de assumir as suas responsabilidades e passar do reconhecimento à ação, fazer corresponder a ambição a um financiamento suficiente, canalizado na direção certa, e combater as causas da perda de biodiversidade.
Os governos têm de dar um sinal forte de que estão preparados para passar das palavras aos atos. Isso inclui reformar os subsídios, bem como as políticas fiscais e financeiras, de modo a alinhá-los com a proteção da natureza e dos direitos humanos.”
A linguagem relativa às abordagens baseadas nos direitos humanos, bem como aos direitos e ao papel dos Povos Indígenas e das comunidades locais, continua também sob pressão em vários pontos da agenda.
As discussões sobre a governação do novo órgão subsidiário relativo ao artigo 8.º, alínea j), suscitam preocupações quanto ao respeito pelo direito à autodeterminação, uma vez que os governos debatem a forma como os Povos Indígenas e as comunidades locais devem ser representados, em vez de lhes permitir decidir por si próprios.
Solomon “Uncle Sol” Kahoʻohalahala, líder indígena havaiano, afirmou: “É inaceitável que os governos continuem a tentar decidir quem irá representar os Povos Indígenas e as comunidades locais nas negociações, tendo em conta o nosso papel fundamental enquanto defensores da natureza.
Os Povos Indígenas e as comunidades locais não são apenas termos a discutir nas salas de negociação, que se acrescentam ou eliminam dos textos dos acordos. Somos nós que estamos na linha da frente da proteção da natureza, a lutar pela nossa sobrevivência e pelo futuro do planeta.
Somos capazes de tomar as nossas próprias decisões, os nossos direitos têm de ser respeitados e as nossas vozes têm de ser ouvidas.”
No sábado à noite, a Greenpeace iluminou o emblemático Teatro da Ópera de Erevã com uma pergunta dirigida aos líderes mundiais: “Que futuro querem?”
A projeção levou a crise da biodiversidade ao coração da cidade, alertando para o risco de incumprimento da meta 30×30 e para o financiamento que continua a ser canalizado para indústrias destrutivas.
Na antecâmara da última semana da COP17 e do Segmento de Alto Nível ministerial, a mensagem foi clara: “Adiar é destruir.”
Camila Jardim, especialista em Política Internacional da Greenpeace Brasil, afirmou:
“As decisões que os governos tomarem em Erevã terão consequências muito para além desta conferência.
A COP17 tem de enviar um sinal forte à Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, a COP31, de que a ação climática e a proteção da biodiversidade devem reforçar-se mutuamente, tendo a proteção e a recuperação dos ecossistemas com elevado grau de integridade ecológica e o respeito pelos direitos humanos como princípios orientadores das decisões e da sua implementação.
Os governos têm de aproveitar esta última semana para chegar a acordo sobre medidas concretas e regressar aos seus países preparados para as concretizar. Não há tempo para mais adiamentos.”
As fotografias e os vídeos estão disponíveis na Biblioteca Multimédia da Greenpeace.
Contactos para OCS:
Diego Gonzaga, responsável de Comunicação da COP17 da Biodiversidade, Greenpeace Internacional
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Jaqueline Sordi, responsável pela relação com os meios de comunicação na COP17, Greenpeace Internacional
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