É possível atingir as metas climáticas, travando a corrida aos “minerais críticos”, diz relatório da Greenpeace International/UTS

Março 16, 2026

Lisboa, 16 de março de 2026 – Os transportes públicos, a melhoria dos programas de reciclagem e tecnologias mais avançadas de baterias são apresentados como soluções cruciais para limitar a procura de minerais numa transição verde, segundo um novo relatório.

O relatório “Beyond Extraction: Pathways for a 1.5ºC-aligned Energy Transition with Less Minerals” (“Para além da extração: caminhos para uma transição energética alinhada com 1,5 ºC e com menos minerais”) foi encomendado pela Greenpeace International e elaborado por académicos do Institute for Sustainable Futures, da University of Technology Sydney (UTS), na Austrália. Utilizando diferentes cenários energéticos compatíveis com a meta de 1,5 ºC, o relatório explora caminhos para uma utilização suficiente e eficiente dos minerais e mostra como os recursos minerais da Terra podem ser geridos para uma transformação limpa e renovável do sistema energético, protegendo os sistemas de suporte da vida no planeta da mineração terrestre ou em mar profundo dos chamados “minerais críticos”.

“A mineração traz frequentemente destruição ambiental e danos sociais. Está alegadamente ligada ao trabalho infantil, à violação de direitos laborais, à apropriação de terras de povos indígenas, à degradação dos ecossistemas e a ameaças para as comunidades. Em todo o mundo, esta corrida aos minerais repete padrões extrativistas e coloniais, ignora os direitos dos povos indígenas e das comunidades locais e ameaça comprometer a própria possibilidade de uma transição energética justa e verde”, afirma Elsa Lee, copresidente da área de Biodiversidade da Greenpeace International.

“Todos queremos um mundo justo em que a energia seja limpa, acessível e esteja disponível para toda a gente, em que os direitos sejam respeitados, as terras e os modos de vida dos povos sejam protegidos, e em que o nosso planeta tenha um clima estável e uma biodiversidade rica. Com este relatório, sublinhamos que cabe aos nossos governos, que regulam a indústria extrativa, impulsionar uma transição energética ambiciosa sem recorrer à mineração em ecossistemas críticos, em terra ou no mar”, acrescentou Lee.

Uma recomendação central do relatório é que os decisores políticos devem dar prioridade ao uso de minerais para fins essenciais da transição energética. Numa era marcada pela erosão da cooperação internacional e pelo agravamento dos conflitos, isto reforça a importância de uma ação coordenada para proteger as pessoas e a natureza, e para alcançar os objetivos climáticos.

Para Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal, a  entrada em vigor do Tratado Global dos Oceanos é a ferramenta jurídica que esperávamos para finalmente colocar os interesses da vida marinha acima do lucro corporativo. Agora, este novo relatório, evidencia cientificamente o que sempre defendemos: que a mineração em mar profundo ser um “mal necessário” para a transição energética, é uma falácia perigosa. Portugal já liderou o caminho ao proibir a mineração submarina até 2050. Agora, o mundo deve seguir este exemplo e utilizar as ferramentas do Tratado para criar imediatamente santuários marinhos, como o que propomos no Mar dos Sargaços. Não podemos permitir que uma nova indústria extrativa comece a destruir o alto-mar, precisamente no momento em que ganhámos o poder de o proteger e com o conhecimento.

A responsável da campanha da Greenpeace International contra a mineração em mar profundo, Ruth Ramos, afirmou: “Já foram ultrapassadas linhas vermelhas em terra que nunca devem ser ultrapassadas no oceano profundo. Hoje sabemos que a mineração em mar profundo não só vai contra a ciência, a ética, as pessoas e o planeta, como nem sequer é necessária para uma transição renovável. O que é preciso é que os países do mundo se unam contra atores descontrolados como a The Metals Company e Donald Trump, e contra os seus ataques ao direito internacional e à cooperação internacional, avançando antes para uma moratória à mineração em mar profundo. Imagine-se se a humanidade tivesse protegido o mundo dos danos da indústria dos combustíveis fósseis antes mesmo de ela começar – essa é a oportunidade que existe em relação à mineração em mar profundo: um privilégio histórico que temos agora de abraçar de forma decidida.”

Como parte do relatório, as áreas com potenciais reservas minerais foram comparadas com zonas que, devido à sua excecional importância ambiental, ecológica e social, devem ficar fora dos limites da mineração. A análise conclui que não é necessário explorar estas áreas interditas à mineração – incluindo, entre outras, o oceano global e as áreas protegidas em terra – para concretizar uma transição energética ambiciosa.

O autor do relatório, o professor Sven Teske, afirmou: “Esta investigação mostra como políticas sólidas e tecnologias inovadoras podem limitar a procura de minerais numa transição energética alinhada com 1,5 ºC. Concretizar esse potencial exige, no entanto, liderança política responsável e ação decisiva já hoje.”

Notas aos editores:

Relatório “Beyond Extraction: Pathways for a 1.5ºC-aligned Energy Transition with Less Minerals” disponível aqui

Resumo de investigação do relatório disponível aqui

Fotos disponíveis aqui


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