Grandes cidades europeias (Lisboa incluída) correm o risco de ficar presas ao aquecimento a gás
Greenpeace European Unit
6 de outubro de 2026
Bruxelas – Estocolmo, Paris e Viena lideram um novo ranking de 15 grandes cidades europeias, que avalia a transição para abandonar o aquecimento a combustíveis fósseis. O estudo foi encomendado pela Greenpeace Central and Eastern Europe.
O relatório surge numa altura em que os decisores políticos da União Europeia debatem as principais políticas para o futuro energético do bloco. Com a aproximação da época de aquecimento e a previsão de subida dos preços do gás, o relatório mostra que muitas cidades europeias continuam a investir em infraestruturas de gás e a manter a dependência do gás fóssil. Destaca também os benefícios concretos para as cidades e os seus habitantes onde a eliminação do aquecimento fóssil está mais avançada.
A Greenpeace apela à UE para que deixe de procurar novos acordos para importar mais gás e se comprometa, em vez disso, a eliminar progressivamente o gás fóssil até 2035. A organização pede também à UE que desenvolva mecanismos de apoio para ajudar as cidades e os governos locais a acelerar a transição para energias renováveis acessíveis e descentralizadas, protegendo os habitantes de custos incomportáveis. O relatório aponta oportunidades nos planos da UE para a segurança energética, no novo orçamento e nas regras de governação da energia e da ação climática.
“O gás fóssil alimenta fenómenos meteorológicos extremos, aumenta o custo de vida e ameaça a independência da Europa. O facto de tantas grandes cidades europeias continuarem a ter dificuldade em abandonar o aquecimento a gás deveria servir de alerta aos decisores políticos. A transição europeia para abandonar o gás fóssil será ganha ou perdida, em grande medida, a nível local. As cidades e os governos locais têm de acelerar essa transição, o que só será possível com um plano claro da UE para eliminar o gás fóssil e com apoio regulatório e financeiro direto, tanto da UE como dos governos nacionais”, afirmou Eszter Matyas, responsável pela campanha de energia da Greenpeace Central and Eastern Europe.
Estocolmo, Paris e Viena lideram o ranking, com um planeamento sólido a longo prazo, grandes investimentos em redes de aquecimento e fortes medidas de proteção social. Copenhaga e Amesterdão são classificadas como cidades em progresso: registam avanços claros, mas continuam muito dependentes das infraestruturas de gás fóssil.
No grupo intermédio – Budapeste, Praga, Berlim, Varsóvia e Bruxelas – os resultados são variados. Algumas cidades têm melhor desempenho na governação; outras apresentam melhores resultados concretos. Todas, porém, estão condicionadas por planos de transição incompletos. No fundo do ranking, Atenas, Roma e Bucareste enfrentam lacunas fundamentais: elevada dependência dos combustíveis fósseis, planeamento incompleto para toda a cidade e mecanismos de execução frágeis.
O ranking mostra que, nas cidades analisadas, a principal falha já não está na ambição, mas na execução. Entre as prioridades para abandonar o aquecimento fóssil sem transferir os custos e os riscos para os habitantes, a Greenpeace destaca: definir uma data para eliminar este tipo de aquecimento; transformar os planos de aquecimento urbano em projetos concretos, com orçamentos e prazos; impedir a instalação de novas caldeiras a combustíveis fósseis; e dar prioridade às habitações ineficientes e às famílias em situação de pobreza energética.
O relatório reúne ainda estudos de caso que mostram benefícios concretos de projetos de renovação e de energias renováveis nas cidades analisadas. Projetos de bombas de calor, isolamento e energia solar em Paris, Viena e Madrid reduziram as faturas energéticas dos habitantes. Em Berlim e Amesterdão, centrais de conversão de eletricidade em calor e caldeiras elétricas ligadas a sistemas de armazenamento têm demonstrado resistência a choques nos preços dos combustíveis e no abastecimento.
Estocolmo e Copenhaga mostram como o aquecimento renovável pode reduzir a dependência das importações de combustíveis fósseis e reforçar a segurança energética. Em Varsóvia, o encerramento de uma caldeira a gás local reduziu a poluição atmosférica causada por óxidos de azoto (NOx) e partículas. A renovação dos edifícios também pode melhorar o conforto térmico, como mostram projetos em Paris e Berlim.
Relatório completo: Cidades sem gás? Ranking europeu da transição do aquecimento urbano – um ranking de 15 cidades europeias sobre a eliminação do aquecimento fóssil, as infraestruturas, a execução e a justiça social, da autoria do Dr. Mehmet Börühan Bulut e encomendado pela Greenpeace Central and Eastern Europe.
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