Greenpeace lança “Expedição ao Ártico Profundo”, com transmissão em direto de ciência de mar profundo (a 3000 metros de profundidade)
Lisboa – A 8 de maio de 2026, a Greenpeace parte numa missão de um mês ao mar profundo do Ártico. A Expedição ao Ártico Profundo reúne cientistas de referência mundial para explorar montes submarinos do Ártico e campos de fontes hidrotermais, ecossistemas tão remotos que continuam, em grande parte, a ser um mistério para a humanidade.
“Estamos a navegar para território desconhecido e inexplorado do planeta e é provável que encontremos novas espécies que ainda não foram descritas nem nomeadas”, afirma o Dr. Paco Cárdenas, especialista em esponjas de mar profundo no Museu da Evolução da Universidade de Uppsala. “Estes animais sobreviveram durante centenas de milhões de anos e estamos ligados a eles de muitas formas. São as bibliotecas químicas do oceano, guardando potenciais curas para doenças, e desempenham a importante função de limpar os nossos oceanos. Perder estas espécies antes mesmo de as compreendermos seria uma tragédia de proporções globais. É essencial protegê-las.”
A área da expedição foi aberta à mineração em mar profundo pelo governo norueguês em 2024, mas esta decisão foi suspensa no ano passado após protestos de organizações ambientais, cientistas e partidos da oposição verdes na Noruega.[1] Segundo muitos cientistas, a mineração em mar profundo causaria danos irreversíveis a ecossistemas vulneráveis de mar profundo, incluindo a destruição de habitats e, possivelmente, a extinção de espécies.
A expedição irá centrar-se na exploração de montes submarinos, que são hotspots de biodiversidade no mar profundo, e de campos de fontes hidrotermais – nascentes vulcânicas submarinas que sustentam vida na escuridão total. A Greenpeace e os cientistas externos a bordo farão transmissões em direto a partir de profundidades até 3000 metros.[2]
A Dra. Anne Helene Tandberg, do Museu Universitário de Bergen, é especialista nos crustáceos que vivem nestes ambientes e já descreveu muitas espécies anteriormente desconhecidas para a ciência. Trabalha também na inclusão de espécies e habitats marinhos em listas vermelhas e fornece base científica para a criação de Áreas Marinhas Protegidas. Sublinha ainda a conectividade destes ecossistemas.
“Os mares profundos nórdicos e do Ártico são o coração dos nossos oceanos do norte”, afirma a Dra. Tandberg. “Do mais pequeno anfípode ao maior monte submarino, estes locais estão interligados. Vemos isso tanto na composição das espécies como na variabilidade genética. Não estamos apenas a olhar para rochas, animais e água; estamos a documentar os órgãos vitais de um ecossistema global que mantém o nosso planeta habitável.”
O Ártico é uma das regiões da Terra que mais rapidamente se transforma e uma das menos protegidas. À medida que a fronteira industrial avança em direção ao mar profundo, a Greenpeace alerta que estes “hotspots de biodiversidade” únicos estão agora em risco de perturbação irreversível.
“Não podemos proteger aquilo que não conhecemos”, afirma a Dra. Sandra Schöttner, cientista-chefe da Greenpeace International. “Esta expedição irá reunir evidência científica sobre os ecossistemas vulneráveis de mar profundo do Ártico. Ao salvaguardar estas águas numa rede de santuários oceânicos, podemos criar uma rede de segurança resiliente para a vida marinha e proteger a saúde dos nossos oceanos globais para as gerações futuras.”
A expedição terminará em Bergen, na Noruega, no início de junho, onde apresentará as suas conclusões iniciais ao público e aos decisores políticos. A Greenpeace está a fazer campanha, a nível global, por uma moratória à mineração em mar profundo e pela proteção de 30% dos oceanos até 2030.
FIM
Fotografias, vídeos e mapas disponíveis na Greenpeace Media Library
Notas:
[1] Mineração em mar profundo: Noruega suspende prática controversa até 2029 – Euronews.
[2] Datas da expedição: 8 de maio a 5 de junho.
As transmissões em direto a partir do fundo do mar Ártico estão previstas entre 15 e 30 de maio.
Cientistas a bordo oriundos da Suécia, Universidade de Uppsala; Espanha, Universidade de Madrid; Noruega, Universidade de Bergen; e Alemanha, Senckenberg Society for Nature Research.
Línguas faladas: inglês, francês, alemão, espanhol/catalão, norueguês e sueco.
[3] A Greenpeace International, a Greenpeace Alemanha e a Greenpeace Nórdica lideram a Expedição ao Ártico Profundo.
Contacto:
Daniel Bengtsson
Responsável de Comunicação a bordo, Greenpeace Nórdica
+46 70 300 9510
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daniel.bengtsson@greenpeace.org