Investigação da Greenpeace: Shein ignora avisos e continua a vender roupa com substâncias químicas perigosas, acima dos limites da UE

Março 5, 2026

Mais de 80% dos produtos reanalisados continuam a violar a regulamentação europeia em matéria de substâncias químicas

Lisboa, 5 de março de 2026 – A retalhista de moda online Shein continua a vender roupa contaminada com substâncias químicas perigosas e não atuou na sequência de avisos anteriores. Em janeiro de 2026, o Instituto Ambiental de Bremen analisou 31 peças de roupa e calçado em nome da Greenpeace Alemanha e concluiu que 25 continham substâncias químicas perigosas acima dos limites estabelecidos pelo regulamento europeu relativo às substâncias químicas (REACH), em alguns casos em concentrações extremamente elevadas. Os produtos analisados eram idênticos ou muito semelhantes aos que tinham sido assinalados pela Greenpeace Alemanha em novembro de 2025 e que, segundo a Shein, já não deveriam estar disponíveis na plataforma.

Há cerca de três meses, a Greenpeace Alemanha já tinha detetado, entre outras substâncias, os plastificantes ftalatos e os chamados “químicos eternos”, PFAS, em níveis muito acima dos limites legais da União Europeia. Em resposta, a Shein anunciou que retiraria de venda os artigos afetados e afirmou que a segurança dos produtos e o cumprimento das normas europeias eram prioridades máximas. Uma promessa que se revelou sem efeito: a Shein retirou apenas o produto específico assinalado pela Greenpeace Alemanha. Quatro semanas depois desta investigação, linhas de produtos contaminados e artigos em formato idêntico ou comparável continuavam disponíveis, como a Greenpeace agora documentou.

“A audácia da Shein é impressionante. Perante o Parlamento Europeu, a empresa promete proteger os consumidores, mas, na prática, continua a vender produtos fortemente contaminados”, afirma Moritz Jäger-Roschko, especialista da Greenpeace em economia circular. “A Shein ignora os nossos avisos, assim como os limites legais, e aceita conscientemente danos para as pessoas e para o ambiente. Este comportamento é gravemente negligente.”

Entre os 25 produtos contaminados testados em janeiro, havia quatro artigos completamente idênticos aos do primeiro teste, incluindo um casaco de exterior que voltou a estar disponível na mesma loja. No caso de uma sandália, nove cores adicionais da mesma continuavam à venda, todas com a mesma palmilha que não cumpre os requisitos legais, embora a Greenpeace já tivesse assinalado uma das variantes de cor em novembro de 2025. Os produtos ultrapassaram os limites da UE até 3.115 vezes. A venda deste tipo de produtos é proibida na União Europeia. Enquanto grande plataforma online abrangida pelo Regulamento dos Serviços Digitais, a Shein é obrigada a impedir a venda de produtos ilegais como estes na sua plataforma.

Para Ana Farias Fonseca, não restam dúvidas: “após analisarmos os produtos da Shein, tornou-se evidente que continuam a conter substâncias químicas perigosas acima dos limites legais da UE, ignorando deliberadamente os alertas. Ao manter no seu catálogo artigos perigosos para a saúde, a marca continua a agir de forma negligente relativamente à saúde das pessoas e do ambiente, e prova que as suas promessas públicas de segurança pouco ou nada significam. A Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal, afirma que “é urgente travar esta impunidade e exigir que a lei seja cumprida sem exceções, tal como pedimos na nossa petição.” https://www.greenpeace.pt/como-ajudar/peticoes/shein/

Substâncias químicas perigosas na roupa da Shein: riscos para as pessoas e para o ambiente

As substâncias químicas perigosas detetadas têm sido associadas a várias doenças, incluindo cancro, perturbações reprodutivas e perturbações do crescimento em crianças, bem como ao enfraquecimento do sistema imunitário. Os trabalhadores e o ambiente nos países de produção estão entre os mais suscetíveis de serem afetados. Os consumidores também estão expostos a estas substâncias através do contacto com a pele, da transpiração ou da inalação de fibras. Quando as peças de roupa são lavadas ou descartadas, estas substâncias entram nos rios, no solo e na cadeia alimentar.

Através do chamado modelo de venda direta ao consumidor, a Shein envia mercadorias diretamente da China para consumidores na União Europeia. Do ponto de vista legal, os compradores são, por isso, considerados os importadores e suportam formalmente a responsabilidade de garantir que os produtos cumprem os limites da UE. Este modelo permite à Shein escapar à responsabilização ao abrigo da legislação europeia sobre substâncias químicas. Para travar estas práticas, a legislação europeia em matéria de substâncias químicas tem de ser aplicada sem lacunas a todos os produtos vendidos na União Europeia. Os vendedores que violem repetidamente as regras europeias devem ser sancionados e excluídos do mercado.

A Greenpeace defende também uma lei forte contra a fast fashion, seguindo o exemplo francês, para estabelecer no mercado modelos de negócio ambientalmente responsáveis. “O caso Shein mostra que a autorregulação voluntária destas empresas não serve de nada. Enquanto as empresas de fast fashion puderem lucrar com roupa descartável e com substâncias químicas perigosas, precisamos de limites legais claros”, afirma Jäger-Roschko. “Uma lei eficaz contra a fast fashion deve travar a sobreprodução, limitar a publicidade à fast fashion e, por fim, responsabilizar os fabricantes.”

Notas: Pode encontrar material de vídeoaqui e material fotográficoaqui.

O relatório completo aqui


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