O risco de ultrapassar o limite de 1,5 °C deve impulsionar medidas para pôr fim aos combustíveis fósseis na COP31

Novembro 6, 2026

Lisboa, 6 de novembro de 2026

Antes do início da Cimeira do Clima das Nações Unidas, na próxima segunda-feira, em Antália, na Turquia, ativistas da Greenpeace exibiram uma faixa gigante na praia de Konyaaltı, em Antália, para enviar ao mundo a mensagem “COP31: MANTER VIVO O LIMITE DE 1,5 °C”, símbolo da difícil situação do planeta.

A Greenpeace apela aos governos reunidos na COP31 para responderem à iminente ultrapassagem do limite de 1,5 °C e limitarem a sua dimensão e duração através de duas medidas fundamentais: o abandono progressivo dos combustíveis fósseis e o fim da desflorestação e da destruição das florestas.

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Depois de o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) confirmar que o limite de 1,5 °C de aquecimento global será ultrapassado, a prova decisiva na COP31 será saber se os governos conseguem responder com medidas concretas. Antália tem de romper com o ciclo de negociações que produz compromissos graduais, em vez dos avanços ambiciosos necessários para enfrentar o agravamento da crise climática.

Jasper Inventor, coordenador da delegação da Greenpeace na COP31, afirmou que “Não faltam promessas climáticas, mas já não temos tempo para evitar ultrapassar o limite de 1,5 °C. Agora, a COP31 tem de demonstrar que a diplomacia climática pode produzir mudanças reais, e não apenas mais compromissos futuros cuja implementação os governos passarão uma década a discutir. A COP31 precisa de alcançar um avanço claro e decisivo. Cada fração de grau conta e cada ano de atraso agrava as consequências. Precisamos de uma transição rápida, justa e financiada para abandonar os combustíveis fósseis, pôr fim à desflorestação, garantir o financiamento climático urgente de que os países do Sul Global precisam e fazer com que os principais responsáveis pela crise climática paguem a parte que lhes cabe.

Um acordo na COP31 que fique aquém do que a ciência exige não é um avanço, por muitos países que o assinem. A implementação não pode significar fazer apenas o mínimo indispensável. É tempo de agir.”

Para o diretor da Greenpeace Portugal, a dependência do petróleo e do gás continua a expor as pessoas à instabilidade energética e a agravar a crise climática. “Não podemos esperar mais: o Governo português tem de confirmar a sua ambição climática na COP31, aderindo formalmente ao processo internacional para abandonar os combustíveis fósseis e apresentando um roteiro nacional, com metas e prazos, para deixar o carvão, o petróleo e o gás.”

Toni Melajoki Roseiro acrescenta que “Portugal deve também apoiar a meta global de eletrificação renovável de 35% até 2035 e defender novos compromissos de financiamento climático para os países mais vulneráveis. A credibilidade internacional do país exige que as declarações do Governo se traduzam em decisões concretas.”

Já Berkan Özyer, diretor da Greenpeace Turquia, país que organiza a COP31 em conjunto com a Austrália, destacou: ”Perante uma das crises energéticas mais graves do último século e a iminente ultrapassagem do limite de 1,5 °C, a necessidade de agir com urgência nunca foi tão evidente. Das comunidades locais e da sociedade civil de toda a Turquia está a surgir um forte apelo a uma transição justa para abandonar os combustíveis fósseis, e estamos a levar esta voz diretamente à COP31. A Turquia deve encarar a sua presidência da COP31 como uma verdadeira oportunidade para demonstrar liderança climática. A meta de eletrificação só terá sucesso se estiver assente no abandono progressivo dos combustíveis fósseis e no impulso às energias renováveis. Enquanto anfitriã da COP31, a Turquia não pode defender promessas globais e ignorar as contradições internas: os planos para novas centrais a carvão devem ser imediatamente cancelados, deve ser anunciado um calendário claro para uma transição justa para abandonar o carvão e a importação de resíduos plásticos deve ser totalmente proibida, como verdadeiro teste da sua visão de «Resíduo Zero».”

Shiva Gounden, responsável pela região do Pacífico na Greenpeace Austrália-Pacífico, afirmou: “O direito internacional e a ciência climática dizem-nos que 1,5 °C é uma tábua de salvação para as nossas comunidades, mas o cenário político trata a ultrapassagem desse limite como se fosse um incómodo temporário. Nas ilhas do Pacífico conhecemos a verdade: quando os nossos recifes morrem e as nossas terras desaparecem com a subida do nível do mar, não há como voltar atrás, por muito carbono que se tente retirar da atmosfera décadas mais tarde. São danos irreversíveis!

O impulso à eletrificação na COP31 não significará nada se for usado para disfarçar o verdadeiro problema: os combustíveis fósseis. Se esta COP pretende traduzir-se numa implementação real, tem de enfrentar a extração que nos empurra para a ultrapassagem do limite. Para que seja verdadeiramente uma COP de implementação, o que importa é um abandono progressivo dos combustíveis fósseis que seja vinculativo, gerido, financiado e urgente.”

Mais informações:

Contactos para OCS:

● Catarina Canelas, ccanelas@greenpeace.org; Coordenadora de Comunicação da Greenpeace Portugal +351 913 913 323

● Aaron Gray-Block,aaron.gray-block@greenpeace.org; Comunicação da Greenpeace Internacional, +61 437 845 150 pressdesk.int@greenpeace.org 


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