Posição da Greenpeace sobre a proposta das Organizações Regionais de Gestão das Pescas que ameaça enfraquecer o Tratado Global dos Oceanos.

Abril 1, 2026

(PrepCom 3, Nova Iorque)

Megan Randles, chefe da delegação da Greenpeace nas conversações da ONU, afirmou que “As organizações que, ao longo de décadas, têm supervisionado a destruição no alto mar avançaram com uma tentativa de apropriação de poder completamente inaceitável, que enfraqueceria drasticamente a capacidade do Tratado Global dos Oceanos de o proteger.

Estão a tentar reescrever o Tratado em favor dos interesses instalados da indústria das pescas. Estas organizações querem poder travar e comprometer avanços na conservação, como a criação de áreas marinhas protegidas, e estas alterações dariam precisamente esse poder.

Precisamos urgentemente que os governos rejeitem estas propostas antes de terminarem as conversações decisivas. Se não o fizerem, correm o risco de falhar o compromisso de proteger 30% do oceano até 2030, com consequências catastróficas.”

Para Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal, “Se esta proposta for aprovada, estaremos a entregar a proteção do oceano às mesmas organizações que, durante décadas, falharam na sua gestão e permitiram a destruição sistemática dos ecossistemas marinhos. A Greenpeace, juntamente com milhares de pessoas em todo o mundo, trabalhou mais de 20 anos para que este Tratado fosse uma realidade. Alcançado esse passo histórico, não vamos cruzar os braços e permitir que o poder corporativo sequestre o Tratado e logo no ano em que entrou em vigor. Em Portugal, contactámos os atores políticos relevantes nesta matéria, para garantir que o país mantém a sua liderança e defende a proteção real dos oceanos, e não os lucros de uma indústria privilegiada.”

Notas:

  1. As Organizações Regionais de Gestão das Pescas (Regional Fisheries Management Organizations, RFMOS), estão a tentar enfraquecer o texto do Tratado Global dos Oceanos, de forma a atribuírem a si próprias, poderes adicionais que restringiriam significativamente as medidas de proteção do oceano. Os defensores da proteção marinha estão a dar o alerta sobre esta proposta de texto, na qual as RFMOs introduziram alterações significativas. As secções relevantes são: parágrafo 1(b), (c), (g bis), (g ter), (i), parágrafo 4, parágrafo 5. Estas alterações reforçariam a supremacia das próprias ORGP/RFMOs e atrasariam ou comprometeriam medidas de proteção do oceano, como propostas de santuários marinhos.
  2. A Greenpeace apela aos governos para que rejeitem por completo o novo texto proposto.
  3. Restam apenas dois dias da PrepCom, a ronda decisiva de negociações sobre o Tratado dos Oceanos que decorre, esta semana, na sede das Nações Unidas.

Contactos: 

Catarina Canelas, Coordenadora de Comunicação da Greenpeace Portugal; +351 913 913 323

Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal: +351 913 913 343

Megan Randles, chefe da delegação da Greenpeace Internacional nas conversações da ONU sobre os oceanos: +44 7508 276653.


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