A Greenpeace alerta que Davos é uma bomba climática: 1 em cada 4 participantes chega em jato privado
Lisboa, 15 de janeiro de 2026 – Na antecâmara do Fórum Económico Mundial (WEF) da próxima semana, em Davos, na Suíça, a Greenpeace CEE publicou uma nova análise sobre o tráfego de jatos privados associado ao evento. O relatório, Davos in the Sky, analisou voos privados de e para aeroportos próximos de Davos ao longo dos últimos três anos – antes, durante e após o WEF de cada ano – e concluiu que houve um aumento acentuado da atividade de jatos privados, apesar de a participação global no fórum se ter mantido, em termos gerais, estável.
Herwig Schuster, responsável de campanhas da Greenpeace, afirmou:
“É pura hipocrisia que a elite mais poderosa e super-rica do mundo discuta os desafios globais e o progresso em Davos, enquanto literalmente queima o planeta com as emissões dos seus jatos privados. O momento de agir é agora. Os governos têm de travar os voos de luxo poluentes e taxar os super-ricos pelos danos que causam.”
Principais conclusões do novo relatório Davos in the Sky [1]
- Durante a semana do Fórum Económico Mundial de 2025, foram identificados 709 voos adicionais de jatos privados em aeroportos próximos de Davos – o equivalente, aproximadamente, a quase um voo em jato privado por cada quatro participantes do WEF.
- Este número representa um aumento de 10% face a 2024, ano em que foram registados 628 voos, e um aumento de três vezes em comparação com 2023, quando se registaram 227 voos [2]. O aumento não foi impulsionado por uma maior participação, mas sim por chegadas e partidas repetidas. Em 2024 e 2025, muitos jatos privados voaram para dentro e fora de Davos várias vezes durante a mesma semana, transformando efetivamente a região num hub de transporte em jato privado para os participantes em Davos.
- A Greenpeace CEE calcula que cerca de 70% das rotas de jatos privados poderiam ter sido feitas de comboio no espaço de um dia (ou através de um comboio noturno com ligação) [34].
A Greenpeace apoia as negociações da Convenção das Nações Unidas sobre Fiscalidade (UNFCITC) com vista a novas regras fiscais globais até 2027 e insta os governos a implementarem novas regras fiscais globais sobre riqueza extrema, incluindo uma taxa sobre a aviação de luxo, como jatos privados e voos em primeira classe e classe executiva.
Notas
[1] O relatório Davos in the Sky foi elaborado pelo think tank T3, sediado em Berlim. As principais conclusões foram selecionadas pela Greenpeace CEE com base nos dados do relatório.
[2] Em 2023, uma greve dos controladores aéreos franceses durante a semana do WEF 2023 poderá ter afetado os voos de e para a Suíça.
[3] O cálculo da Greenpeace CEE baseia-se nos países de origem e destino (estação ferroviária de Davos Dorf) e recorre a dados do relatório da T3 referido neste comunicado.
Contactos
Herwig Schuster
Responsável de Campanhas Europeias, Greenpeace Áustria
+43 664 4319214
herwig.schuster@greenpeace.org
Christine Gebeneter
Responsável de Comunicação Europeia, Greenpeace Áustria
+43 664 8403807
christine.gebeneter@greenpeace.org