8 de março: Por um mundo mais justo, o Ecofeminismo é a nossa escolha
O Dia Internacional da Mulher não é uma celebração de circunstância. É um grito de resistência, de memória e de exigência por justiça.
Este dia lembra todas as mulheres que, ao longo da história, deram o corpo e a voz para conquistar direitos que hoje muitos tomam como garantidos. Mas este dia não é apenas memória. É também de resistência, porque muitos desses direitos estão sob ameaça e, por isso, na Greenpeace, o dia 8 de março tem um lugar claro no nosso trabalho. Não há justiça ambiental sem justiça social e justiça de género.
Haverá quem pergunte: “O que tem a Greenpeace a ver com o feminismo?”. A resposta é simples: o sistema que explora a natureza é o mesmo que oprime as mulheres. O ecofeminismo mostra-nos que a exploração dos recursos naturais e a desvalorização do trabalho associado ao cuidado (historicamente atribuído às mulheres) são duas faces da mesma moeda. Ou seja, um modelo patriarcal e extrativista que coloca o lucro acima da vida.
Na Greenpeace, sabemos que as mulheres e, especialmente as mulheres do Sul Global, estão entre as primeiras a sentir os efeitos da crise climática. São elas que enfrentam primeiro a escassez de água, a insegurança alimentar e os impactos dos desastres naturais. Mas são também elas as principais guardiãs da biodiversidade, das comunidades e da vida. Por isso, colocar o género no centro da nossa ação e da estratégia não é, por isso, uma opção. É uma necessidade de sobrevivência.
10 Anos sem Berta Cáceres
Este 8 de março de 2026 ganha também um peso emocional e político acrescido. Assinalamos 10 anos desde o assassinato de Berta Cáceres, a líder indígena Lenca e defensora do território, que despertou o mundo para a defesa dos rios nas Honduras. Berta foi uma visionária que compreendeu com clareza que defender o Rio Gualcarque era defender a vida e a sobrevivência do seu povo. Apesar das ameaças, da perseguição e do risco permanente, liderou a resistência contra as empresas Desarrollos Energéticos S.A. e Sinohydro, que pretendiam construir a barragem hidroelétrica Agua Zarca no rio Gualcarque sem consulta prévia às comunidades da região, violando o direito do povo Lenca a decidir de forma livre e informada sobre o seu território. A vitória do povo lenca chegou em 2013, com o cancelamento do projeto.
Berta Cáceres não foi um caso isolado. Foi o resto de uma violênica que persiste. Segundo os dados da Global Witness, em média, quatro defensores do ambiente são assassinados por semana em todo o mundo. As mulheres, no entanto, enfrentam uma camada adicional e perversa de violência. Para além das ameaças de morte, muitas são alvo de ataques especificamente dirigidos ao seu género, incluindo violência sexual, campanhas de difamação que visam a sua reputação pessoal e ameaças às suas famílias. Defender a natureza tornou-se uma atividade de alto risco, especialmente para as mulheres indígenas que, como Berta, enfrentam o poder e recusam o silêncio.
Ainda assim, dez anos depois, as palavras de Berta continuam a ecoar: “¡Despertemos, humanidad, ya no hay tiempo!”. O seu assassinato foi uma tentativa de silenciar uma voz incómoda, mas como as suas companheiras dizem: “Berta não morreu, multiplicou-se”! Ela vive em cada mulher que hoje atua por um mundo mais justo, verde e digno.
A nossa ação continua a ser urgente
Entre guerras que devastam territórios e crises climáticas que nos batem à porta, o ecofeminismo surge como uma bússola para um caminho onde a sustentabilidade seja a prioridade. Precisamos de um mundo onde o cuidado com todos e com o planeta não seja um fardo invisível, mas a base de toda a economia e de todas as nossas ações (mesmo as mais pequenas!).
Perante tudo isto, a nossa resposta só pode ser coletiva.
Se tentam silenciar as organizações com multas milionárias, nós respondemos com mais união. Se nos tentam silenciar, juntar-se-ão cada vez mais vozes à nossa. Se tentam invisibilizar as mulheres nas decisões climáticas, nós ocupamos as ruas.
Junta-te a nós na Marcha do Dia Internacional da Mulher!
No próximo dia 8 de março, convidamos-te a trazer a tua voz, o teu cartaz e a tua determinação para a rua. A Greenpeace Portugal, enquanto subscritora do manifesto promovido pela Plataforma Feminista, estará presente na “Marcha pela Libertação de Todas as Mulheres”, em Lisboa.
Junta-te a nós!
Pela memória de Berta Cáceres. Pelo direito ao protesto. E por um futuro em que a vida, em todas as suas formas, seja realmente respeitada.
Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal