Entrada de blog por Ana Farias Fonseca - Abril 9, 2026


Portugal e o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR): finalmente uma realidade

É com grande entusiasmo que a Greenpeace felicita a implementação do Sistema de Depósito com Reembolso (SDR) em Portugal! É uma vitória não pode ser diminuída ou vista como algo de pequena importância. É um há passo há muito pedido pela Greenpeace em vários países e uma vitória de todos os cidadãos que se recusam a aceitar que o plástico continue a asfixiar o nosso futuro. Representa, por isso, um passo crucial rumo a uma realidade que permita recolher e reciclar com mais qualidade e eficiência e evitar o desperdício.

Mas não nos enganemos, o SDR é um passo crucial, mas é apenas o início de uma batalha muito maior contra grandes interesses económicos.

Porque é que é tão importante o SDR?

A resposta é simples: porque o SDR funciona.

  1. Taxas de recolha reais: Nos países onde o SDR já é uma realidade, a recolha de garrafas de bebidas chega a atingir valores superiores a 90%. É esse também o objetivo para Portugal. Num país onde a taxa de reciclagem de resíduos urbanos é de apenas 32%, o risco do plástico poder acabar no lixo comum ou, pior, na Natureza, é real.
  2. A separação do material: Ao separar as garrafas no momento da entrega, evitamos a contaminação. Isso significa que uma garrafa pode voltar a ser uma garrafa (o verdadeiro loop fechado), em vez de ser “reciclada” num produto de menor qualidade que acabará num aterro em pouco tempo.
  3. Responsabilidade do produtor: O SDR retira o peso financeiro das mãos das autarquias e dos nossos impostos. Agora, são as empresas que colocam o plástico no mercado as responsáveis por financiar a sua recolha e reciclagem. É o princípio do “quem polui paga” em ação.

O plástico: um problema que teima em desaparecer

Apesar do avanço do SDR, não podemos baixar a guarda. O plástico não é apenas um “problema visual” nas nossas praias, florestas ou rios. Faz parte da atual crise climática e é, neste momento, um problema de saúde pública também. Um dos nossos relatórios mais recentes, “Are We Cooked?”, destaca precisamente essas conclusões alarmantes: as nossas refeições prontas pré-preparadas estão inundadas de microplásticos e químicos tóxicos.

Além disso, a esmagadora maioria do plástico é derivado de combustíveis fósseis. Por isso, produzir plástico é alimentar o aquecimento global. Uma vez no ambiente, este não se biodegrada, antes fragmenta-se em microplásticos, o que faz com que, estejamos, literalmente, a comer, beber e respirar as nossas embalagens descartáveis. Mesmo assim, e apesar destes passos positivos e significativos, é importante que se saiba que a reciclagem sozinha,  mesmo com o SDR, nunca será a solução total se continuarmos a produzir plástico de forma desenfreada.

O Tratado Global dos Plásticos é nossa oportunidade 

É aqui que o trabalho da Greenpeace ganha uma escala global. Atualmente, estamos num momento histórico com a negociação do Tratado Global dos Plásticos da ONU.

A Greenpeace está na linha da frente para garantir que este tratado não seja apenas uma “lista de boas intenções”. Exigimos:

  • Um corte de pelo menos 75% na produção de plástico até 2040.
  • O fim definitivo do plástico de uso único desnecessário.
  • Uma transição justa para sistemas de reutilização e reembolso.

Sem um acordo internacional juridicamente vinculativo, os esforços nacionais como o SDR serão apenas pensos rápidos num num problema maior

Faz parte da solução

A implementação do SDR em Portugal prova que a pressão pública funciona. Mas a batalha global está apenas a começar. Precisamos que todas as nossas vozes sejam ouvidas nas negociações das Nações Unidas, sobretudo face ao controlo das grandes indústrias e respectivos interesses económicos.
Junta a tua voz à nossa e assina a nossa petição.

Não podemos permitir que o lucro de alguns destrua a saúde e o planeta de todos.

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