Preços dos transportes públicos atingem novos máximos em metade das capitais europeias
- Portugal sobe nove posições no ranking europeu, do 17.º para o 8.º lugar, impulsionado pela introdução do Passe Ferroviário Verde
- Lisboa sobe três lugares e ocupa agora a 12.ª posição entre as capitais analisadas
Lisboa, 17 de setembro de 2026 – Os preços dos passes de transportes públicos aumentaram significativamente em 14 capitais europeias nos últimos três anos, revela um novo relatório da Greenpeace Central and Eastern Europe (CEE), que analisou a disponibilidade e a acessibilidade dos passes mensais e anuais de transporte público nos 27 países da União Europeia, Reino Unido, Suíça e Noruega, bem como nas respetivas capitais. [1]
As capitais mais caras são Londres (162 euros por mês), Amesterdão (107 euros) e Paris (77 euros). [2] Desde 2023, o maior aumento no preço dos passes de longa duração foi registado em Nicósia (+67%), seguindo-se Amesterdão (+55%), Madrid (+50%), Bratislava (+32%), Berlim (+29%) e Viena (+26%). Os preços aumentaram também significativamente em Copenhaga (+18%), Bucareste (+17%), Vilnius (+10%), Bruxelas (+10%), Londres (+10%), Estocolmo (+9%), Paris (+8%) e Helsínquia (+5%).
A Greenpeace analisou igualmente a acessibilidade e disponibilidade de passes nacionais universais de transporte público, que permitem utilizar comboios e outros transportes públicos por um preço fixo e acessível. Apenas oito dos 30 países analisados disponibilizam algum tipo de “passe climático”. No entanto, na Alemanha e na Áustria, os preços destes passes aumentaram quase 30% desde a sua introdução.
Na União Europeia, os bilhetes de transporte público estão sujeitos, em média, a uma taxa de IVA de 11%, superior à aplicada a vários bens e serviços essenciais. [3] Sete países aumentaram mesmo o IVA aplicado aos bilhetes de transporte público desde 2023.
Portugal sobe do 17.º para o 8.º lugar
Portugal é, a par da Eslovénia, um dos países que mais melhorou desde a primeira análise realizada pela Greenpeace, em 2023. Com 56 pontos em 100, o país subiu nove posições no ranking, passando do 17.º para o 8.º lugar.
Segundo o relatório, esta evolução deve-se à introdução do Passe Ferroviário Verde, disponível apenas para residentes em Portugal, que custa 20 euros por mês e é válido na maioria dos serviços ferroviários do país, podendo ser adquirido por períodos de 30, 60 ou 90 dias.
O relatório assinala, contudo, que o passe está limitado ao transporte ferroviário. Refere ainda que, a 21 de agosto, o Governo português anunciou que, a partir da terceira semana de setembro, o Passe Ferroviário Verde passaria a abranger todos os serviços urbanos da CP em Lisboa e no Porto e, posteriormente, a Linha da Fertagus, mantendo-se o preço de 20 euros mensais. O título não prevê descontos.
Portugal obteve ainda pontuação pela aplicação da taxa reduzida de IVA de 6% aos transportes públicos.
Lisboa também melhorou a sua posição. A capital portuguesa obteve 83,86 pontos em 100 e ocupa o 12.º lugar, uma subida de três posições face ao ranking anterior.
Excluindo as cidades onde os transportes públicos são gratuitos para toda a população, Lisboa é a única cidade analisada onde os jovens entre os 4 e os 23 anos, inclusive, podem viajar gratuitamente.
Os residentes em Lisboa com 65 ou mais anos podem igualmente viajar gratuitamente, enquanto outros passageiros seniores beneficiam de um desconto de 50%. Desde 2025, as pessoas desempregadas de longa duração elegíveis beneficiam de um desconto de 25% e as pessoas com deficiência elegíveis de um desconto de 50%.
O preço do passe mensal regular em Lisboa manteve-se inalterado desde 2023. Segundo o relatório, o alargamento dos apoios sociais contribuiu para a subida de três posições da capital portuguesa.
Para Toni Melajoki Roseiro “A subida de Portugal neste ranking mostra que boas políticas públicas fazem a diferença. O Passe Ferroviário Verde foi um passo importante, mas um passe acessível não chega se a rede não permitir às pessoas deixar o carro em casa. O Diretor da Greenpeace Portugal afirma que ´O país precisa de transportes públicos mais frequentes, acessíveis e verdadeiramente integrados em todo o território. Essa é uma escolha que melhora a vida das pessoas, reduz desigualdades e, ao mesmo tempo, corta emissões e a nossa dependência dos combustíveis fósseis.”
Já Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas da Greenpeace Portugal, acrescenta que “A Greenpeace apela aos governos nacionais e locais para que introduzam “passes climáticos” acessíveis para os transportes públicos, como forma de reduzir os custos para as famílias, combater o aumento das emissões dos transportes rodoviário e aéreo dependentes do petróleo e reduzir a dependência da União Europeia dos combustíveis fósseis, vulnerável às oscilações de preços e às perturbações das cadeias globais de abastecimento.”
A organização apela também à Comissão Europeia para que apoie os esforços nacionais para a criação destes passes, tendo em vista a introdução de um futuro passe climático europeu, e para que condicione instrumentos de financiamento, como o Fundo Social em matéria de Clima, à implementação de passes climáticos, estabelecendo também metas de acessibilidade económica para os Estados-Membros.
Herwig Schuster, especialista em transportes da Greenpeace Central and Eastern Europe, afirma: “Numa altura em que as famílias enfrentam o aumento do custo de vida e a Europa sofre com níveis recorde de calor e seca, é inaceitável que os transportes públicos continuem fora do alcance de tantas pessoas. Os transportes rodoviário e aéreo são os principais responsáveis pelo consumo de petróleo na Europa, mas os governos continuam a tornar os comboios limpos menos acessíveis do que deveriam.
As perturbações em torno do Estreito de Ormuz, bem como as guerras no Médio Oriente e na Ucrânia, expuseram a vulnerabilidade da Europa aos choques nos preços dos combustíveis fósseis e às perturbações das cadeias globais de abastecimento. Se os nossos governos levam a sério a soberania energética, a segurança e a ação climática, têm de reduzir a sua dependência do petróleo. Introduzir passes climáticos acessíveis para os transportes públicos é uma das formas mais rápidas de reduzir as emissões, diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e apoiar o dia a dia das pessoas.”
Numa nota positiva, os preços dos passes de transporte público de longa duração diminuíram desde 2023 em quatro capitais europeias: Dublin (-42,5%), Oslo (-11,5%), Berna (-6,6%) e Budapeste (-5,8%), mantendo-se ao mesmo nível em outras 12 capitais.
Desde 2023, mais dois países — Espanha e Eslovénia — introduziram alguma forma de passe nacional de transporte público. Ainda assim, apenas oito dos 30 países europeus analisados [4] oferecem transportes públicos gratuitos ou passes universais de longa duração a preços acessíveis.
Luxemburgo, Malta e Eslovénia obtêm os melhores resultados, enquanto Finlândia, Grécia e Noruega apresentam os piores desempenhos no que diz respeito à acessibilidade económica e disponibilidade dos passes nacionais.
Os transportes representam uma parcela significativa das despesas das famílias europeias. O aumento dos gastos com combustíveis fósseis e com as necessidades de mobilidade reduz, assim, os recursos disponíveis para outras despesas não relacionadas com energia.
Os transportes são o único setor da União Europeia onde as emissões de gases com efeito de estufa estão a aumentar, sobretudo devido aos veículos movidos a combustíveis derivados do petróleo e à aviação. São também o principal responsável pelo consumo de petróleo: 65% do petróleo utilizado nos transportes na União Europeia é referido no relatório como indicador da forte dependência do setor.
Os governos europeus, apesar das crises energética, climática e do custo de vida, têm demorado a introduzir medidas que respondam aos desafios da mobilidade e dos transportes. Para a Greenpeace, num contexto de instabilidade geopolítica e de sucessivos choques energéticos, a falta de ação nesta área não representa apenas uma falha das políticas climáticas e sociais, mas também das políticas económicas e de segurança.
Notas aos jornalistas:
[1] A Greenpeace analisou os preços, a disponibilidade e a inclusão dos passes de transporte público de longa duração – mensais e anuais – em 30 países europeus (os 27 Estados-Membros da União Europeia, Noruega, Reino Unido e Suíça) e nas respetivas capitais.
Foram considerados oito critérios. Cinco aplicados aos países: (1) disponibilidade de passes mensais e anuais permanentes; (2) preço dos passes de longa duração; (3) abrangência dos passes, incluindo alcance regional e meios de transporte incluídos, como autocarros, elétricos, metro e comboios; (4) inclusão, através de reduções de preço para grupos vulneráveis; e (5) IVA aplicado aos bilhetes de transporte público.
Três critérios adicionais incidiram especificamente sobre as capitais: (6) disponibilidade de passes de longa duração; (7) respetivo preço; e (8) descontos destinados a grupos vulneráveis.
Com base num sistema de pontuação de 0 a 100 pontos aplicado a cada critério, foram elaborados os rankings dos países e das capitais. Para tornar comparáveis os preços entre diferentes moedas e países, estes foram ajustados ao índice do nível de preços e às taxas de câmbio.
A Greenpeace realizou a primeira análise das capitais e países europeus em 2023. O novo relatório permite acompanhar as alterações verificadas desde então nos preços e na disponibilidade dos passes de transporte público.
[2] Os preços apresentados resultam do ajustamento dos preços locais ao Índice do Nível de Preços (Price Level Index – PLI) de cada país.
[3] Em seis países da União Europeia, a taxa normal de IVA – a mais elevada aplicada no respetivo país – incide tanto sobre os transportes públicos como sobre bens de luxo: Roménia, Bulgária, Estónia, Eslováquia, Croácia e Hungria.
[4] Luxemburgo, Malta, Eslovénia, Áustria, Alemanha, Hungria, Espanha e Suíça.
Contactos para entrevistas:
Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal:
913 913 343
Contactos internacionais:
Herwig Schuster, Especialista em transportes, Greenpeace Central and Eastern Europe
herwig.schuster@greenpeace.org
+43 664 4319214
Marianne Lämmel, Responsável de Comunicação Europeia, Greenpeace Central and Eastern Europe
marianne.laemmel@greenpeace.org
+43 664 881 72206