Entrada de blog por Ana Farias Fonseca - Setembro 22, 2026


AÇÃO: De olho no julgamento mais perigoso da Europa contra ativistas climáticos 

AÇÃO | 40 ativistas da Greenpeace abriram um olho gigante em Valência, Espanha, onde está prestes a realizar-se o julgamento mais perigoso de que há memória na Europa contra um protesto climático pacífico: 11 ativistas da Greenpeace poderão ser condenados a até 5 anos de prisão por um protesto não violento contra os combustíveis fósseis, os principais causadores das alterações climáticas. Se isto acontecer, Espanha tornar-se-á um dos poucos países onde ativistas da Greenpeace foram encarcerados, após o vergonhoso precedente da Rússia de Putin em 2013.

 

Ativistas da Greenpeace seguram duas faixas com o lema «Activism is not a crime» (O ativismo não é um crime) em frente ao Hemisfèric de Valência. 21 de setembro de 2026.

 

Uma íris de 26 metros de diâmetro, desdobrada sobre a cúpula do edifício do Hemisfèric, evidencia o alarme dos movimentos sociais perante o aumento da repressão contra defensores ambientais e dos direitos humanos: esta é a acusação mais grave contra ativistas climáticos na UE!

 

Os factos

Os factos remontam a outubro de 2021, quando o nosso navio Esperanza entrou no porto de Sagunto (Valência, Espanha) para denunciar a chegada de um navio vindo dos EUA carregado com um dos combustíveis fósseis mais perigosos para o clima: o metano.

Após várias horas de resistência pacífica, a Guarda Civil abordou o nosso navio, cortou as âncoras e levou-nos para o porto.

 

O nunca visto desde a Rússia de Putin

Agora, após cinco anos de incerteza, o Ministério Público pede uma pena de 5 anos para 11 pessoas por um alegado crime de perturbação da ordem pública agravada. Se forem condenados, Espanha tornar-se-á um dos poucos países onde ativistas da Greenpeace foram encarcerados: a última vez que se viu algo semelhante foi na Rússia em 2013, quando 30 ativistas foram detidos numa prisão siberiana durante meses após serem sequestrados pelo exército de Putin em águas internacionais, também por protestarem contra os combustíveis fósseis. Naquela ocasião, sem julgamento.

Ativistas da Greenpeace seguram duas faixas com o lema «Activism is not a crime» (O ativismo não é um crime) em frente ao Hemisfèric de Valência. 21 de setembro de 2026.

 

Amnistia Internacional e relatores da ONU acompanham o caso

O caso é tão preocupante que a Amnistia Internacional está a acompanhar o processo, e o Relator Especial das Nações Unidas sobre os defensores do ambiente, Michel Forst, desloca-se nestes dias a Valência para ouvir os ativistas, assistir ao julgamento na qualidade de observador e apresentar as suas diretrizes sobre o direito ao protesto ambiental pacífico e à desobediência civil.

Ativistas da Greenpeace a prepararem-se para desdobrar a faixa com um olho em cima do edifício do Hemisfèric, em Valência. 21 de setembro de 2026. Foto de Pedro Armestre.

Ativistas a desdobrar a faixa gigante no Hemisfèric de Valência. 21 de setembro de 2026. Foto de Virginia Rabal.

 

Enquanto isso, o planeta está em chamas

O paradoxo é que isto ocorre justamente no ano em que o nosso planeta quebrou todos os limites de temperatura alguma vez registados, com ondas de calor que causam dezenas de milhares de mortes só na Europa, incêndios que devastam milhares de hectares, oceanos transformados num caldo, secas históricas que drenaram os grandes rios europeus e uma perda galopante de biodiversidade. E, ao mesmo tempo, o grupo de pessoas de ultra-ricas e empresas multimilionárias saqueiam os nossos recursos em benefício próprio.

Enquanto eles planeiam os seus refúgios na Nova Zelândia ou em Marte, as pessoas que se arriscam todos os dias para enfrentar a injustiça podem perder cinco anos das suas vidas atrás das grades.

O mundo está a observar. Não nos vão calar. O ativismo não é um crime.

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