O litoral português como primeira linha do nosso futuro
O relatório “Destruição a toda a costa – Retrato de um litoral português em risco” é um trabalho profundo que olha de frente para os cerca de 2500 quilómetros do nosso litoral, entre o continente e os arquipélagos dos Açores e da Madeira, faz um diagnóstico urgente, mas, acima de tudo, aponta caminhos de esperança.
Talvez não seja novidade para muitas pessoas, mas a costa portuguesa está sob uma pressão sem precedentes. Os impactos da crise climática já não são previsões para um futuro distante. Na verdade, são a realidade quotidiana.
- Subida acelerada do nível do mar: Em Portugal, a água está a subir a um ritmo de 3,7 mm por ano, um valor superior à média global de 3,3 mm.
- Erosão crónica: Mais de 25% da nossa costa continental está em recuo, com perdas que atingem os dois metros por ano em várias zonas.
- Eventos extremos: A sucessão de tempestades no inverno de 2025 e no início de 2026 provocou recuos nos areais entre 10 e 20 metros em diversas praias.
- Remédios temporários e dispendiosos: Investiram-se cerca de 350 milhões de euros, nos últimos 15 anos, em alimentações artificiais de areia. Soluções temporárias que, provavelmente, terão de ser repetidas num futuro próximo.
Além disso, a pressão urbanística em locais vulneráveis, como vemos em casos críticos na região de Grândola ou Sesimbra, e a degradação dos nossos sistemas dunares estão a retirar à costa as suas defesas naturais. Se não agirmos, estimamos que até 60% das nossas praias e até 10% do território costeiro habitável estejam em risco sério de desaparecer nas próximas décadas.

The Greenpeace Portugal report “Portugal: A Coast at Risk?” reveals that the country faces an unprecedented challenge along its 1,860 km of coastline, driven by a sea-level rise of 3.7 mm per year and a doubling in the frequency of extreme storms since the year 2000. This vulnerability is severely exacerbated by human intervention, with 60% of the mainland coast already urbanised and 92% of sediments blocked in dams such as those on the Douro, which prevents the natural regeneration of beaches and accelerates their erosion. With 200,000 inhabitants in high-risk areas and the threat of losing 10% of the habitable coastal territory, the document advocates a “strategic retreat” and the prioritisation of nature-based solutions, such as the restoration of dunes and salt marshes, to ensure the coast’s survival.
Mas a natureza tem as soluções
A mensagem central do nosso relatório é clara: a nossa costa não é uma linha a defender, é antes um ecossistema dinâmico a respeitar. Não precisamos de inventar soluções artificiais quando a própria natureza nos oferece as melhores barreiras de proteção.
Restaurar dunas e marismas, travar a construção desmedida na primeira linha de mar e garantir o cumprimento efetivo da legislação ambiental são as ferramentas de adaptação climática mais urgentes e eficazes que temos.
Não podemos aceitar que as nossas praias de sempre sejam transformadas em memórias históricas, por terem sucumbido a interesses imobiliários de poucos e por terem sido ignorados os factos científicos. Se agirmos agora com coragem política, rigor no ordenamento do território e visão de futuro, podemos preservar este património incalculável para as gerações presentes e vindouras.

35 buildings on the front line are in a critical risk area.
The Greenpeace Portugal report “Portugal: A Coast at Risk?” reveals that the country faces an unprecedented challenge along its 1,860 km of coastline, driven by a sea-level rise of 3.7 mm per year and a doubling in the frequency of extreme storms since the year 2000. This vulnerability is severely exacerbated by human intervention, with 60% of the mainland coast already urbanised and 92% of sediments blocked in dams such as those on the Douro, which prevents the natural regeneration of beaches and accelerates their erosion. With 200,000 inhabitants in high-risk areas and the threat of losing 10% of the habitable coastal territory, the document advocates a “strategic retreat” and the prioritisation of nature-based solutions, such as the restoration of dunes and salt marshes, to ensure the coast’s survival.
Junta a tua voz à nossa
Para que estas propostas passem do papel para a ação, precisamos de uma mobilização cidadã forte. A proteção do litoral exige que o Governo e os municípios travem a expansão imobiliária em zonas de risco, apliquem as normas de proteção nos planos locais e garantam o acesso livre e público às nossas praias.
Cada assinatura nesta petição conta para fazer ouvir esta exigência e proteger o que é de todos.
Junta-te a nós para virar a maré e garantir um litoral vivo, seguro e resiliente!
Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas e Mobilização da Greenpeace Portugal